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Badauí fala sobre o novo futuro do CPM22

ENTREVISTA CPM22 - São quase 15 anos de carreira, seis discos, muitos sucessos nas rádio e até em filmes e novelas. Isso é tudo o que uma banda quer? Mais ou menos. Depois de um período de, digamos, reclusão, o CPM22 se prepara para lançar novo material, “mais com o perfil da banda”, revela Badauí, o vocalista. Aliás, Badauí é do tipo de músico que fala bem, não tem medo do futuro e sabe que apostar na música é a melhor opção que fez para sua vida. Convicto do que fez em todos esses anos, mesmo com erros e acertos, a meta é seguir em frente, em harmonia com uma nova gravadora, mas principalmente, seguindo seus ideais.


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ENTREVISTA CPM22 - Após dois anos trabalhando com o disco "Cidade Cinza", o CPM 22 está na pré-produção de seu próximo álbum, "com mais cara do CPM", como conta o próprio vocalista, Badauí. Em entrevista para o Portal MTV, a banda disse todos os detalhes do trabalho. Confira!



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Badauí fala sobre o novo futuro do CPM22

ENTREVISTA CPM22 -

 

 

Veja a entrevista exclusiva que Badauí concedeu ao eBand.  

 

O CPM22 já estão produzindo novo material?  

Já estamos com repertório praticamente fechado. Ainda não gravamos o disco, nada foi finalizado, mas preparamos um material, cerca de oito músicas, das 20 que temos, para mostrar às gravadoras nossa nova linha, um apanhado geral do que seria o disco.  

 

Você falou em nova gravadora. O que aconteceu para o fim do contrato coma Universal?  

Saímos no final do ano passado. Não estava mais rolando. A Universal assinou com um monte de bandas que não tinham nada a ver com a gente, além disso nós não queriamos fazer mais nada com o Rick (Bonadio, produtor). Na real, tudo aquilo é puro bussiness.  

 

O CPM22 vai fazer o novo disco com produção própria?  

Não exatamente. Temos uma gravadora grande esperando a pré-produção. Se fecharmos, a tendência é voltar ao normal, como era antes. A produção fica com a gente mesmo, nas mãos do Fernando Sanchez (baixista), que é um grande produtor. Estamos ensaiando no estúdio El Rocha, em Pinheiros, que é do Fernando também, então estamos em casa. Tentamos fazer uma experiência em estúdios maiores, mas lá é o lugar que ficamos à vontade. Hoje em dia a ideia é que faz diferença e, apesar de parecer um estúdio mais modesto, o El Rocha tem vários equipamentos bons, melhores do que em muitos estúdios grandes. Nomes famosos como Mallu Magalhães e Marcelo Camelo estão gravando lá.  

 

Qual o caminho desse novo álbum? Há muita mudança?  

Vai soar bem diferente. Até por conta da produção, pela liberdade que temos agora, sem nos preocuparmos de alguém específico gostar. Está na nossa mão, mas agora vamos trazer coisas que nunca usamos, como ska, metais, são estruturas de músicas que estão agradando a gente e podem ser perfeitamente trabalhados comercialmente pela gravadora.  

 

Tudo o que foi feito até hoje, era influência do Rick ou exatamente o que vocês sempre queriam nas gravações?  

Era tudo o que queriamos, só gravação e mixagem destoavam um pouco do que tinhamos em mente. Sempre tivemos uma pegada mais de bandas da Califórnia mesmo, mas aí na mixagem aumentavam muito a voz, abaixava a guitarra, aí destoava de tudo. Uma coisa mais de conceito mesmo. Dava uma impressão não exata do que a banda é de verdade.  

 

A banda não tem medo do público estranhar?  

Não estamos destoando muito do que o CPM22 é. Esse novo trabalho tem nossa cara, mas estamos trazendo mais referências de The Clash, Rancid, Might Might Bostoness, resolvemos beber dessa fonte, que gostamos muito. Além disso, a gente precisous e reiventar.  

 

E as letras, seguem o mesmo caminho?  

Elas estão diferentes, mas digo que é um álbum muito mais pra cima do que o “Cidade Cinza”, que é mais intenso. Continua sendo do que a gente vive, mas em outra linguagem. Falamos de outras coisas que nunca falamos, como uma pegada de protesto em certos momentos, mas em um lance mais positivo, sem ser carrancudo.  

 

As músicas antigas terão uma nova roupagem?  

De repente, se rolar mais músicos no palco, podemos usar para tocar algo. Já que está çá, pode ser um metal, teclado. Mas, mesmo assim, as músicas do disco novo tem a ver com o que já fazíamos.  

 

Com o sucesso que o CPM possui, não é possível seguir um caminho completamente independente?  

Eu quero usar a estrutura da gravadora, de trabalho. Entregar o disco pronto e elas fazem a parte burocrática, de distribuição, contatos. Mas o disco vai ser feito pelo CPM22, tudo com a gente. Eu gostaria muito de viver sozinho, mas aqui no Brasil é um sonho. E outra, as gravadoras perderam forças e não estão exigindo muito, entendeu? E não estamos fazendo nada com que a gravadora não possa trabalhar. É um trabalho com muita atitude, com muita identidade, mas sabendo lidar com essa linguagem de gravadora, de rádio, com uma mixagem extra, com menos guitarra, mais voz.  

 

Esse é o caminho pras bandas?  

Como as gravadoras ganham menos hoje em dia, poderiam gastar menos e também exigir menos. Eles ainda tem o poder de barganha com rádios, TVs, e isso ainda é forte para manter a música brasileira. O caminho é dar mais liberdade de produção. No caso do CPM, já temos uma história, então dá pra fazer uma parceria sem precisar bater de frente, que todos fiquem bem.  

 

O que teve de bom e ruim nesses 15 anos de banda?  

Saldo muitro mais posiutivo. Claro que não acertamos muitas vezes, principalmente no começo, com 19, 20 anos, quando faltava maturidade. Porém, tem a nossa verdade ali, então não posso me voltar contra isso. Só não posso repetir essa forma, senão é um erro mesmo. Acho que a gente foi bem, na medida do possível.  

 

A evolução é natural?  

Claro, com naturalidade. Acho que evoluímos sim, se você pegar a discografia toda, o independente até o “Chegou a Hora de Recomeçar”, com pegada mais californiano, pegada rápida e muita melodia. O “Felicidade Instantânea”, mais cadenciado, abaixamos a afinação, é um disco mais tenso. No “Cidade Cinza” é um disco mais pesado, mais seco, esse eu gosto muito.  

 

Como é ser considerado referência?  

Acho importante de um lado, mas frustrado por outro, porque vejo que o mesmo produtor que lançou a gente lançou banda de baciada, todas iguais, com linguagem diferente e acabou que virou uma confusão. Assim, na postura, na maneira de conduzir uma banda, podemos ter influenciado, mas como estrutura de música, de letra é bem diferente, com muito menos influência. Quando moleque eu conhecia muito mais coisas escutando fita K7 do que os moleques de hoje, que tem mp3. Vejo que essas bandas novas e são todas iguais. Quem abraça isso e só criança, menina. Difícil ver um pessoal mais velho achando que essas bandas são muito boas.  

 

Isso pesou em sair da gravadora?  

Com certeza. O Rick queria copiar uma fórmula que não tinha nada a ver com a gente e acabou que fomos pra outro caminho. Não é só uma crítivc, é uma coisa que aconteceu. No final, dar essa sumida ajudou a nos reinventarmos, mas também sair de tudo que não tem nada a ver. Temos liberdade agora, mas ainda somos muito uma banda dos anos 90, com influência dessa época. Acho que vai ficar explicito, não só com as músicas, mas a produção do novo disco. A verdade demora, mas ela vem, tá ligado? O problema todo é muito mais um lance de rótulo, pelo tema das letras, uma linguagem que Ramones usavam há tempos, mas muita parte dos ignorantes no Brasil não sabem disso. Letra de amor, cotidiano é desde sempre, desde Elvis...  

 

Acha que por ser cantada em português atrapalha um pouco nesse ponto?  

Não quero servir de exemplo, que somos das maiores bandas de punk rock do Brasil. Sei que no decorrer da minha vida achei um modo de viver com o que gosto, na medida do possível. Então, não conheço ninguém nessa linha que eu escuto que seja bom em português mesmo, só Dead Fish e alguma coisa do Hateen. Quem fala bobeira é mais moleque do que pessoal que conhece a gente há tempos. Assim, eu também não me excluo de ter errado, de ter deixado a mixagem como tava... paguei por erros que cometi e assumo eles. No Brasil, pra não errar, tem que ser independente, mas aí não entra no mercado. É difícil.  

 

O que uma banda precisa pra sobreviver no Brasil?  

Maior exemplo é o Dead Fish, que assinou com gravadora grande, mas não quis se adaptar e foram cuidar da vida deles. Acho nobre a estrutura deles, para poder ter essa postura, mas é quase impossível. Então, não tem muito o que fazer mesmo. Por exemplo, no nosso caso, agora só assinamos se for uma parceria harmônica. Não dá para perder o que conseguimos nesse tempo. Ideal se conseguíssemos cantar lá fora, mas em português nos limitamos, ao contrário de NOFX, por exemplo, que é independente dos Estados Unidos, mas faz sucesso no mundo todo. É questão de escolher o melhor caminho.  

 

E o Medellín, sua banda realmente independente?  

Estamos preparando um disco de 12 músicas, ainda não finalizamos, mas é um projeto livre na forma de escrever, compor. Aquele esquema de poucos shows, mais simples, mas to me divertindo bastante. Esquema é fazer o disco e botar no MySpace pra download. No final das contas, o Medellín me ajuda com o CPM22. É minha outra cara, de mostrar as influências, de manter minha postura.  

 

Você falou em show, e o CPM?  

Agora estamos tranqüilos, focando em preparar as músicas. Essa má fase veio em boa hora e vamos nos concentrar no próximo semestre, quando vamos lançar o disco em agosto, aí voltamos naquele ritmo de sempre.  

 

Clique e veja a entrevista no eBand




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